O impacto da adesão à UE no sector agrícola foi muito negativo pois Portugal entrou muito tarde mas nao soube aproveitar os incentivos que ainda recebeu.
Porém, ainda mais significativo terá de considerar-se o facto de a situação relativa do referido indicador se ter deteriorado no decurso da primeira década de adesão de Portugal à Comunidade, na medida em que essa evolução traduz inequivocamente que o país não soube tirar partido de fundos comunitários de garantia de preços, ou de reconversão (orientação) agrícola, postos à sua disposição no âmbito da PAC. E tais recursos estão longe de ser despiciendos.
Acresce que a agricultura portuguesa também não tem sido capaz de implementar uma estratégia competitiva, conducente a uma maior autosuficiência em produtos agrícolas ou a uma melhoria da sua balança comercial agrícola.
A situação de crise em que se perpetua a agricultura portuguesa pode considerar-se um fenómeno endémico. Com agricultores, mas sem empresários, inserida na PAC mas sem estratégia, não podendo beneficar nem de uma experimentação nem de serviços de extensão com um mínimo de qualidade e relevância, a agricultura portuguesa continua a mostrar-se incapaz de se modernizar, seja em termo das culturas praticadas, das técnicas utilizadas ou dos objectivos prosseguidos.
O desenvolvimento do sector agrícola impõe-se, assim, não só numa óptica produtiva, como numa óptica social e patrimonial. Daí que seja particularmente confrangedor constatar-se, década após década, que ele permanece basicamente estacionário, não obstante todo o tipo de “choques” a que foi submetida a economia portuguesa no último quarto de século , entre os quais o decorrente da nossa adesão à Comunidade Europeia não é, seguramente, o menos relevante. Mas, mesmo este, não chegou para um verdadeiro despertar agrícola!
Falta reconhecer “que a essência do problema agrícola em Portugal reside primordialmente nas estruturas produtivas do sector, as quais, assentando numa agricultura tradicional, originam níveis de produtividade baixíssimos”. E a partir daí, tirar as necessárias implicações, entre as quais se insere a de desenhar uma estratégia susceptível de vencer a crise, tendo em conta os múltiplos factores que a determinam, mas tendo simultaneamente em mente que nem todos são igualmente importantes e que há que estabelecer prioridades.
Em resumo, continuámos nas últimas duas décadas a desperdiçar tempo e recursos, as oportunidades que nos foram dadas para procedermos à modernização e desenvolvimento da nossa agricultura. Não nos restam muitas mais!
sexta-feira, 7 de março de 2008
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